Controlo da População
Secretaria de Relações Públicas do Município de Lisboa

Ex.(a)Sr.(a)

REF. PROCESSO Nº 249867/11/98
LEI Nº 321.564 DE 20.11.98 
Assunto - CONTROLO DA POPULACÃO 

Conforme registro de nosso cadastro e controle, verificamos que V.Sa., atingiu o limite de idade prevista por lei. Nossos estudos estatísticos indicam que sua idade não oferece mais nenhuma vantagem para a sociedade. Muito pelo contrário, acarreta uma carga suplementar para as entidades assistenciais de sua comunidade, bem como desagrado daqueles que o rodeiam. Por esse motivo, V. Sa., deverá apresentar-se ao Crematorio Municipal do seu Municipio,  até 28 Novembro (vinte e oito) dias após o recebimento desta, a partir das 09 (nove) horas da manhã, diante do Forno 15, Ala Norte Nº 4 para que possamos proceder à vossa incineração. 
Na oportunidade V.Sa., deverá apresentar-se munido dos seguintes ítens:

1 - Cartão de Identidade ;
2 - Protocolo da Certidão de Óbito em andamento;
3 - 1 saco plástico (sem publicidade a supermercados) para cinzas
4 - 2 metros cúbicos de lenha seca ou 18 litros de gasolina especial;
5 - Comprovante do pagamento de Taxas de Cremação (autenticada)

Para evitar qualquer contratempo ou perigo de explosão, fica estipulado que deste momento em diante, V.Ex., não deverá ingerir qualquer tipo de bebida alcoólica ou mesmo comer batata-doce, pois provocam reações incontroláveis de alta periculoosidade ao eco-sistema.

Antecipadamente, agradecemos vossa valiosa colaboração e, adeus!

Atenciosamente,
Secretario do Ministerio Publico - Departamento de Controlo da População.

Carta de amor de um químico
Ouro Preto, Zinco de Agosto de 1995.

Querida VALÊNCIA:

Sinto que ESTRÔNCIO perdidamente apaixonado por ti. Ao deitar-me, quando DESCÁLCIO meus sapatos, MERCÚRIO no SILÍCIO da noite, reflicto e vejo me que sinto SÓDIO. Então, desesperadamente CRÓMIO. Sem ti, VALÊNCIA, a minha vida e um INFERRO. Ao pensar que tudo começou com um ARSÉNIO de mão, CLORO de vergonha. SABISMUTO que te amo, embora não o digas, sei que gostas de um tal HÉLIO e também do HIDROEUGENIO. De ANTIMÓNIO, posso assegurar-lhe que não sou nenhum ÉRBIO e que HABÁRIO para viver. OXIGÉNIO cruel tu tens. VALÊNCIA! Não PERMETAIS que eu COMETAIS algo ERRÁDIO. Por que me fazer sofrer tanto assim, sabendo que tu és a luz que me ALUMÍNIO? Meu caso e CÉRIO, mas não ÁCIDO razão para um ESCÂNDIO social. Eu soube que a PLATINA contou que te EMBRÓMIO com esse NAMOURO. MANGANÊS, deixa-te disso e não acredita NIQUELA disser, pois sabes que nunca agi de modo ESTANHO contigo. Aliás se não tiveres arranjado outro ANGONIOMENTO, procura um ADVOGADOURO e me METAIS na cadeia. Lembra-te porem que não me SAIS do pensamento.

ABRÁCIDOS COMOVIDROS deste que muito te ama,

MAGNÉSIO. 

Carta de uma mãe alentejana para um filho que está na Bósnia
Mê qrido filho.
Escrêvo-te algumas linhas apenas pra saberes questou viva.
Estou-te a escrever devagar, pois ê sei que nã sabes ler depressa.
Nã vais reconhecer a nossa casa quando voltares. Tê pai leu no jornal que os acidentes acontecem a vinte kilómetros de casa, por isso agente mudou-se. Não te posso mandar a morada, porque a última família caqui viveu levou os números com ela pra não terem de alterar a morada.
Temos uma máquina de lavar rôpa mas nã trabalha muito bêm, a semana passada pus lá 14 camisas, puxei a correnti e nunca mais as vi.
Acerca do tê pai, ele arranjou um bom emprego, tem 1500 homens debaixo dele, pois agora está cortando a relva no cemitério.
A magana da tua irmã Maria teve bébé esta semana, mas sabes, ê nã consegui saber sé menino ó menina, portanto nã sei sés tio ó tia.
O tê Ti Patrício afogô-se a semana passada num depósito de binho lá na adéga cuprativa, alguns cumpádris tentaram salvá-lo porra! Mas sabes, ele lutou bravamente contra eles.
O corpo foi cremado mas levou 3 dias pra apagar o incêndio.
Na 5ª fêra fui ao médico e o tê pai foi comigo, o médico pôs-me um pequeno tubo na boca e disse-me pra nã falari durante 10 minutos. Atão nã sabes que o tê pai ofereceu-se logo pra comprar o tubo ao médico.
Esta semana só choveu duas vezes, na primeira vez choveu durante 3 dias, na segunda durante 4 dias.
nã segunda-fêra teve tanto vento quma das galinhas pôs o mesmo ovo 4 vezes.
Recebemos uma carta do cangalhêro, que informava que so último pagamento do enterro da tua avó nã for fêto no prazo de 7 dias, devolvem-na.

Olha, mê filho, cuida-ti.

Nã te esqueças de beber o lête todas as nôtes, antes de enterrares os cornos na fronha.

Um bêjo
Joaquinha do Chaparro

PS: Era pra te mandar cinco contos, mas como já tinha fechado o invelope, nã tos mandei.
Olha, fica prá próxima. porra!

 
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